Death Note
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1.7Nota do Filme

Depois da aguardada estreia de Defensores na Netflix, Death Note vem como grande novidade para o mês de agosto no serviço de streaming. A famosa série japonesa de mangá escrita por Tsugumi Ohba e ilustrada por Takeshi Obata ganha sua primeira adaptação norte-americana nos cinemas. Entre elogios e reclamações, será que o diretor Adam Wingard conseguiu fazer um bom trabalho?

A origem

Death Note é uma das histórias mais complexas e interessantes produzida pela cultura japonesa nos últimos anos. Em seu conteúdo original, Ligth Yagami é um estudante do ensino médio que descobre um caderno sobrenatural chamado Death Note. Com ele, o portador pode fazer com que o deus da morte Ryuk mate qualquer pessoa apenas escrevendo o nome da mesma no papel.

Tendo poder em suas mãos, Ligth decide acabar com a violência no mundo escrevendo o nome de criminosos no caderno para que sejam mortos. Entretanto, seus planos são contrariados por um “L”, um famoso detetive particular.

L e Ligth

Não é uma adaptação

Já nas primeiras cenas conseguimos perceber que Death Note está longe de ser uma adaptação fiel ao conteúdo original. Ligth (Nat Wolff) não é tão brilhante e sua reação ao encontrar o pela primeira vez deus da morte Ryuk (dono do livro) pela primeira vez é desastrosa. E por falar em Ryuk, esse pode ser firmemente elogiado em mais uma bela atuação de Willem Dafoe como dublador do monstro. Ryuk funciona bem como alivio cômico mas deixa um pouco a desejar em momentos aterrorizantes, não por culpa do personagem, mas sim pela falta de ritmo da história.

O que nos fica claro é que o Death Note da Netflix decidiu seguir seus próprios passos tendo apenas uma leve influência da história japonesa. Nesse ponto o erro foi grave. Temos elenco fraco, uma relação entre personagens rasa e mal explorada e ah! Já estava me esquecendo… Que trilha sonora horrível. Nenhuma escolha sonora combina com o contexto da cena apresentada.

Falta objetivo

Temas como abuso de poder, racismo e livre-arbítrio são discutidos com frequência no Mangá, e o que temos aqui? Nada! Brevemente uma referência a conflito de poder entre raças distintas, uma vez que o personagem L é interpretado por Lakeith Stanfield (um negro vs um branco).

Ligth deveria ser mais engenhoso e expor essa sua genialidade adolescente contra L, mas novamente nada aconteceu. Mesmo que Lakeith tenha interpretado o detetive de forma bem fiel ao original isso não agregou no aumento da qualidade do filme.

Nem tudo é tão ruim assim

Se esquecermos por uma hora e quarenta que o Mangá exista o filme pode até ser divertido. Apesar das críticas a falta de fidelidade a história tem potencial para expandir seu próprio universo em volta de temas mais complexos. Ryuk e L salvam o filme, e enquanto vemos a repercussão que o filme vai render a Netflix, continuo preferindo o Mangá.