Inferno - O Filme
Roteiro
Atuações
Proposta
2.0Nota do Filme

A terceira adaptação cinematográfica da saga de Dan Brown sobre o simbologista Robert Langdon (Tom Hanks) chegou às telonas brasileiras no dia 12 de Outubro de 2016. Aguardado com expectativa pela maioria dos críticos, devido ao sucesso de bilheteria da adaptação de o Código da Vinci, Inferno demonstra ser a adaptação menos fiel dirigida por Ron Howard, que também dirigiu as adaptações anteriores: Anjos e Demônios (2009) e Código DaVinci (2006).

Expectativa

Quando li Inferno pela primeira vez, em meados de 2013, já imaginava o quão interessante poderia se tornar uma adaptação cinematográfica desse livro. Ao contrário das aventuras passadas, Dan Brown traz nessa história um tema extremamente atual e até mesmo preocupante em nossa sociedade, a super população. Embora a narrativa do livro não se desenvolva tão bem como a de seu antecessor, O Símbolo Perdido, Inferno nos mostrou que fatos históricos e atualidade podem caminhar lado a lado na compreensão dos eventos que nos cercam. Em Inferno, Robert Langdon encontra-se em uma trilha perigosa criada por Bertrand Zorbrist (no filme, Ben Foster), um geneticista preocupado com o rumo que a sociedade atual está tomando e fascinado por uma das obras mais influentes da história, A Divina Comédia (1304), do poeta medieval Dante Alighieri.

O Filme

Nos primeiros minutos de filme a semelhança que as cenas iniciais tinham com o livro me chamaram bastante atenção. Robert Langdon acorda numa cama de hospital em Florença com um ferimento a bala na cabeça. Como se isso não bastasse, o simbologista não se lembrava de nada do que havia acontecido nas últimas 48 horas, além de delirar com visões assustadoras de morte e uma mulher misteriosa.

Em meio àquela situação tortuosa encontra-se Sienna Brooks (Felicity Jones), uma simpática jovem médica que ajuda Langdon a tentar recuperar sua memória e compreender de fato o que estava acontecendo. A partir daí, o filme ganha um ritmo acelerado, que acaba se tornando cansativo em meio a perseguições e cenas repetidas que se diferenciam apenas pelo local onde foram gravadas.

Robert e Sienna

Pontos Fortes

Dentre todos os personagens possíveis, quem torna um filme da saga de Robert Langdon interessante é ninguém menos do que o próprio Robert Langdon. Inferno conseguiu mostrar mais afundo o lado sentimental do simbologista, explorando seus momentos pessoais com Elizabeth Sinskey (Sidse Babett Knudsen). Embora o filme tenha poucas cenas entre os dois é possível perceber um potencial para algo maior, que será aproveitado em outro filme, talvez… Nesse ponto, Inferno acerta e se diferencia dos outros filmes da franquia, não apenas por representar Langdon como uma mente brilhante capaz de resolver qualquer tipo de problema, mas por explorar melhor seu lado particular a partir de suas fragilidades e pessoas com que se importa.

Pontos Fracos

Inferno continua a seguir o péssimo hábito das adaptações de grandes best-sellers, o desejo em se tornar um blockbuster. A obra de Dan Brown é digna de ser lida por ser realista dentro daquilo que a narrativa propõe, sem grandes reações em cadeia e explosões absurdas, como acontece no final do filme. Explosões combinam mais com Marvel e DC.

Já no primeiro ato do filme podemos perceber a má atuação do elenco principal, deixando a impressão de que o filme não passa apenas de uma produção para cumprir contrato com o estúdio. Tom Hanks, por exemplo, está em uma das piores atuações de sua carreira e isso não se justifica por seu personagem estar machucado até a metade do filme, uma vez que no livro Langdon se mostra totalmente agitado e pensativo, tentando a todo custo descobrir o que estava acontecendo. A impressão deixada pelo filme é de que o simbologista foi levado a tentar salvar o mundo por causas inexplicáveis. Por último, o que mais incomoda em Inferno é o seu final infiel e vilão subaproveitado. Todo mundo que leu o livro gostaria de que pelo menos alguma semelhança do desfecho original fosse trazido para as telonas. Isso não aconteceu, o blockbuster se sobressai e não entende-se direito os elementos motivadores de Bertrand Zorbrist.

Poderia ser melhor…

Deixando a desejar nos principais momentos da trama e apresentando alguns notáveis furos de roteiro, Inferno não sai do básico. Podendo ser classificado apenas como um bom filme cult para adoradores e estudiosos dos belos monumentos e locações europeias em que o filme se passa. Contudo, o elenco renomado e o investimento considerável das produtoras Imagine Entertainment e Skylark Productions provam que o filme não chegou nem perto do potencial que poderia alcançar.

Isso nos deixa a dúvida se veremos o simbologista Robert Langdon nos cinemas novamente, uma vez que a editora Arqueiro anunciou o lançamento de um novo romance do autor Dan Brown em que o simbologista será mais uma vez o protagonista da história. O livro Origin tem seu lançamento marcado para 26 de setembro de 2017.